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Nossa Flora

Recuperação Florestal.

A ARIE possui 12 ha de áreas de borda em processo de restauração, onde já foram efetivados dois métodos de restauração ecológica - o plantio de alta riqueza de espécies arbóreas em linha e o manejo de espécies de interesse. Sete hectares fazem parte de programas de restaurações de borda executadas pelo Departamento Técnico-Científico da FJPO, e os outros cinco hectares foram implantados a partir de passivos ambientais de terceiros. Os 12 ha de restaurações ecológicas da ARIE refletem diferentes possibilidades de manejo e desenvolvimento de restaurações ecológicas, e assim estão formando também novas possibilidades de comunidades bióticas de borda. Existem diferenças, não somente em relação ao método de restauração ecológica utilizado, mas também em relação ao tamanho das áreas, às espécies utilizadas, às localizações das restaurações, entre outras. Essas diferenças são devidas às diferentes condições físicas das áreas manejadas, como, por exemplo, áreas de borda e áreas de clareiras internas, além de terem sido realizadas por diferentes grupos de trabalho. Contudo, todas as restaurações foram realizadas por meio de plantio em linhas com alta diversidade de espécies arbóreas nativas e o manejo seletivo de espécies de interesse. O programa ocorre desde 2001 na UC e, por isso, possui uma grande experiência acumulada, devendo ser expandido. Essa expansão deve ocorrer tanto na divulgação do conhecimento e do processo de monitoria existente, quanto nas áreas manejadas, implementando-se novas pesquisas e experimentos relacionados à vegetação secundária de borda, especialmente no oeste da UC, área do entorno predominantemente agrícola.

Manejo de Espécies Exóticas.

As espécies exóticas braquearia Brachiaria sp., capim-colonião Panicum maximum e maria-sem-vergonha Impatiens walleriana sofrem manejo supressivo em toda a área de borda da UC. Essas espécies estão presentes no cadastro nacional de espécies invasoras de Mata Atlântica e apresentam um alto potencial invasor (Instituto Horus, 2010). Além disso, causam impactos na comunidade vegetal nativa e possíveis impactos econômicos. Braquearia Brachiaria SP e capim-colonião Panicum maximum acumulam uma grande quantidade de biomassa, aumentando o risco de incêndios. Maria-sem-vergonha Impatiens walleriana é de rápida propagação, dominando totalmente ambientes sombreados do sub-bosque, deslocando as plantas nativas. Esse manejo ocorre a cada dois meses, com roçadeira, foice, facão e enxada, na área de borda da ARIE.

A Flora.

A vegetação da ARIE é classificada como um remanescente de vegetação de Floresta Estacional Semidecidual, fisionomia vegetal que anteriormente possuía a maior área de cobertura no Estado de São Paulo e hoje é uma das mais devastadas e com uma das menores áreas existentes. O crescimento e desenvolvimento da sociedade durante praticamente todo o século XIX ocorreu absolutamente sem critérios em relação à conservação ambiental neste território. O remanescente é composto por dois ecossistemas florestais muito distintos em seus aspectos florísticos e estruturais, assim como em sua geomorfologia e solo local - a floresta de terra firme e a floresta brejosa. Ao longo da extensão desses ecossistemas ocorrem diferentes expressões de comunidades vegetais, também com composições florísticas e estruturais distintas entre si. Pesquisas recentes ainda diferenciaram, dentro do ecossistema da floresta de terra firme, uma comunidade natural muito particular, ocupando 1,3% da área total da ARIE, composta por indivíduos da espécie maria-preta Diatenopteryx sorbifolia, denominada de “Maciço de Maria-Preta”. As pesquisas também encontraram características abióticas de solo, como cor, umidade e compactação, e características bióticas, como a composição de espécies, diferenciadas em relação às outras comunidades da UC. Essas comunidades vegetais naturais existentes na UC foram condicionadas e evoluíram em conjunto com a ação de perturbações naturais como geadas, estiagens e tempestades (Nave, 1999; Conforti, 2008). Porém, atualmente, a realidade da vegetação não pode mais ser considerada somente sob influência de fatores naturais. Esse remanescente de Floresta Estacional Semidecidual está inserido na área central de uma paisagem altamente antropizada - a Região Metropolitana de Campinas. A sociedade que se desenvolveu ao redor da área interfere e causa perturbações antrópicas, direta ou indiretamente, na UC. Entre estas perturbações mais freqüentes estão a extração vegetal (madeira, medicinais, palmito e sementes), a caça, as alterações no nível do lençol freático, a poluição hídrica, a poluição atmosférica, as queimadas e, mais recentemente, as alterações climatológicas regionais. Assim, para se analisar as comunidades vegetais dessa Floresta Estacional Semidecidual, é necessário partir de dois princípios básicos: suas origens e condicionantes, e seu histórico de perturbações naturais e antrópicas. Entre as origens e as condicionantes das comunidades vegetais estão o clima, a geologia regional, a geomorfologia e os solos locais. As perturbações naturais e antrópicas provocaram e provocam degradações nas comunidades vegetais naturais e hoje é possível encontrar diferentes estágios sucessionais dessas comunidades, principalmente a vegetação secundária no ecossistema da floresta de terra firme.