A Flora

 
               A vegetação da ARIE é classificada como um remanescente de vegetação de Floresta Estacional Semidecidual, fisionomia vegetal que anteriormente possuía a maior área de cobertura no Estado de São Paulo e hoje é uma das mais devastadas e com uma das menores áreas existentes. O crescimento e desenvolvimento da sociedade durante praticamente todo o século XIX ocorreu absolutamente sem critérios em relação à conservação ambiental neste território.
 
              O remanescente é composto por dois ecossistemas florestais muito distintos em seus aspectos florísticos e estruturais, assim como em sua geomorfologia e solo local - a floresta de terra firme e a floresta brejosa. Ao longo da extensão desses ecossistemas ocorrem diferentes expressões de comunidades vegetais, também com composições florísticas e estruturais distintas entre si.
 
              Pesquisas recentes ainda diferenciaram, dentro do ecossistema da floresta de terra firme, uma comunidade natural muito particular, ocupando 1,3% da área total da ARIE, composta por indivíduos da espécie maria-preta Diatenopteryx sorbifolia, denominada de “Maciço de Maria-Preta”. As pesquisas também encontraram características abióticas de solo, como cor, umidade e compactação, e características bióticas, como a composição de espécies, diferenciadas em relação às outras comunidades da UC. Essas comunidades vegetais naturais existentes na UC foram condicionadas e evoluíram em conjunto com a ação de perturbações naturais como geadas, estiagens e tempestades (Nave, 1999; Conforti, 2008).
 
              Porém, atualmente, a realidade da vegetação não pode mais ser considerada somente sob influência de fatores naturais. Esse remanescente de Floresta Estacional Semidecidual está inserido na área central de uma paisagem altamente antropizada - a Região Metropolitana de Campinas. A sociedade que se desenvolveu ao redor da área interfere e causa perturbações antrópicas, direta ou indiretamente, na UC. Entre estas perturbações mais freqüentes estão a extração vegetal (madeira, medicinais, palmito e sementes), a caça, as alterações no nível do lençol freático, a poluição hídrica, a poluição atmosférica, as queimadas e, mais recentemente, as alterações climatológicas regionais. Assim, para se analisar as comunidades vegetais dessa Floresta Estacional Semidecidual, é necessário partir de dois princípios básicos: suas origens e condicionantes, e seu histórico de perturbações naturais e antrópicas.
 
              Entre as origens e as condicionantes das comunidades vegetais estão o clima, a geologia regional, a geomorfologia e os solos locais. As perturbações naturais e antrópicas provocaram e provocam degradações nas comunidades vegetais naturais e hoje é possível encontrar diferentes estágios sucessionais dessas comunidades, principalmente a vegetação secundária no ecossistema da floresta de terra firme.